O recente e lamentável incidente em Ribeirão Preto, onde um shih tzu perdeu a vida após ser atacado por um cão vizinho que escapou, reacende um alerta crítico para todos os tutores de animais. A tragédia não apenas sublinha a fragilidade da vida pet em situações de confronto, mas também evidencia a urgência de dominar tanto as técnicas de intervenção eficazes quanto as estratégias de prevenção. Uma adestradora profissional oferece um panorama completo sobre como evitar tais cenários e, em caso de emergência, como agir de maneira rápida e segura.
A Complexidade dos Ataques Caninos e o Instinto Animal
Em momentos de agressão entre cães, a adestradora Maria Helena Lima adverte sobre a necessidade de compreender a natureza instintiva desses animais. Diferentemente de uma briga controlada, um ataque canino, especialmente quando um animal entra em estado predatório, impede que ele solte a presa por conta própria. As tentativas emocionais ou baseadas em força bruta, como as observadas no episódio de Bonfim Paulista, onde os tutores usaram até uma faca, são frequentemente ineficazes e podem ser interpretadas como uma 'sequência de erros', conforme a especialista. A falta de técnica adequada não só prolonga o sofrimento, mas também pode culminar em desfechos fatais.
Estratégias de Intervenção Rápida e Segura Durante um Ataque Ativo
Quando um ataque já está em andamento, a intervenção deve visar a libertação da vítima sem colocar em risco a vida dos envolvidos. Segundo Maria Helena, a maneira mais eficaz de fazer o cão agressor soltar sua presa é através de uma manobra que o obrigue a abrir a boca para respirar. Isso pode ser feito ao envolver uma guia ou corda firmemente ao redor do pescoço do animal e, delicadamente, suspender sua cabeça por alguns segundos. Este procedimento, que geralmente dura de 15 a 20 segundos, provoca uma leve perda de ar que induz o cão a soltar, criando a janela de oportunidade crucial para salvar a vida do animal atacado sem causar-lhe ferimentos permanentes.
O Que NÃO Fazer: Riscos e Erros Comuns na Separação
Em situações de pânico, a reação natural de intervir pode levar a atitudes contraproducentes e perigosas. A adestradora enfaticamente desaconselha qualquer tentativa de bater no animal, feri-lo com objetos cortantes, ou tentar separá-los forçando a abertura da mandíbula com as mãos. Tais ações não apenas são ineficazes, podendo intensificar a agressividade do cão e direcioná-la para o interventor, mas também expõem a pessoa a lesões graves, como a perda de um dedo. A tentativa de controle físico direto, sem a técnica correta, é um erro comum que agrava a situação para todos os envolvidos.
Prevenção: A Base para Tutores Responsáveis
A forma mais eficaz de evitar ataques e garantir a segurança de todos reside na prevenção, com o adestramento despontando como a ferramenta mais valiosa. Educar o animal desde filhote, ensinando-o a ter disciplina e a compreender limites, estabelece uma comunicação clara entre tutor e cão. A especialista enfatiza que é fundamental que os tutores compreendam que cães são animais e agem por instinto, necessitando de treinamento para se adaptar ao ambiente humano. Um cão bem adestrado, por exemplo, aprende a não sair pelo portão mesmo quando este está aberto, uma habilidade crucial para prevenir fugas e consequentes confrontos.
Gerenciamento do Ambiente para Evitar Escapadas e Conflitos
Além do adestramento formal, medidas práticas de gerenciamento do ambiente são essenciais para prevenir acidentes. Para tutores que ainda estão desenvolvendo o controle de seus cães, ou como uma camada adicional de segurança, é vital adotar precauções simples: nunca abra o portão se o seu cão estiver no mesmo ambiente, separe-o fisicamente em outra área da casa ou em um canil seguro. Essa estratégia evita que o animal escape acidentalmente para a rua, onde pode se envolver em ataques com outros cães, salvaguardando não apenas a vida do seu pet, mas também a integridade de outros animais e a tranquilidade da comunidade.
Conclusão: Consciência e Preparação para uma Convivência Segura
O triste episódio em Ribeirão Preto é um lembrete contundente de que a posse responsável vai além do carinho e da provisão de necessidades básicas; ela exige conhecimento e preparação. A combinação de técnicas de intervenção seguras para momentos críticos, um programa consistente de adestramento e um gerenciamento ambiental proativo são pilares para uma convivência harmoniosa e segura entre cães e com a comunidade. A conscientização e a ação informada dos tutores são, em última instância, as chaves para proteger a vida de nossos animais de estimação e evitar tragédias futuras.
Fonte: https://g1.globo.com

