A Petrobras confirmou nesta terça-feira, 27 de fevereiro, uma importante alteração em sua política de preços para o gás natural. A estatal implementará uma redução média de 7,8% no valor do gás comercializado para as distribuidoras, medida que entrará em vigor já a partir do dia 1º de fevereiro. A informação foi previamente adiantada por Angélica Laureano, diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da companhia, sinalizando um alívio potencial para o mercado e para o consumidor final.

Mecanismo de Reajuste e Indexadores do Preço do Gás

Os contratos de venda de gás natural entre a Petrobras e as distribuidoras são estruturados com atualizações trimestrais. Estas revisões impactam diretamente a parcela do preço referente à molécula do gás e são tradicionalmente atreladas às variações do mercado internacional. Os principais indexadores considerados para esses ajustes, tanto para cima quanto para baixo, incluem a cotação do petróleo Brent, referência global, e a taxa de câmbio entre o Real e o Dólar americano (R$/US$). Além disso, mais recentemente, desde o início do ano, a variação do Henry Hub — um importante indicador para o mercado de gás natural nos Estados Unidos — também passou a integrar essa cesta de indexação.

A inclusão do Henry Hub como fator de indexação representa uma evolução nos modelos contratuais da Petrobras. Essa opção começou a valer para as distribuidoras que escolheram adotar essa alternativa de vinculação de preço, diversificando os parâmetros de mercado que influenciam o custo da matéria-prima.

Fatores que Influenciam o Preço Final ao Consumidor

A variação de 7,8% anunciada pela Petrobras é uma média e impacta diretamente o preço da molécula de gás. No entanto, as efetivas variações finais dos preços pagos por cada distribuidora dependem de uma combinação de fatores específicos. Estes incluem os produtos contratados, os volumes de gás efetivamente retirados e, significativamente, os prêmios criados pela Petrobras a partir de 2024.

A estatal implementou dois novos mecanismos de incentivo que podem reduzir ainda mais o preço pago pelas distribuidoras: o prêmio por performance e o prêmio de incentivo à demanda. Ambos são projetados para recompensar maiores volumes de retirada, incentivando o consumo e, consequentemente, possibilitando uma redução no custo final para essas empresas.

É fundamental ressaltar que o preço final do gás natural percebido pelo consumidor não é determinado exclusivamente pelo valor de venda da molécula pela Petrobras. Outros componentes essenciais que influenciam esse custo incluem o valor do transporte do gás até a distribuidora, o portfólio de suprimento que cada distribuidora gerencia, suas margens de lucro (e, no caso do GNV – Gás Natural Veicular, as margens dos postos de revenda), e a incidência de tributos federais e estaduais, que variam conforme a legislação local.

Impacto Acumulado e Tendência de Preços

A redução anunciada contribui para uma tendência de queda no preço da molécula de gás natural. Desde dezembro de 2022, o preço médio de venda da molécula pela Petrobras às distribuidoras acumula uma significativa redução da ordem de 38%, considerando já o efeito da diminuição implementada em fevereiro. Essa série de ajustes reflete tanto as dinâmicas dos mercados internacionais de petróleo e gás quanto as políticas comerciais da companhia.

Essa sequência de reduções pode ter um efeito cascata positivo na economia, potencialmente aliviando custos para a indústria, o comércio e os consumidores residenciais que utilizam gás natural. A Petrobras, com essas movimentações, demonstra sua adaptação às condições de mercado e busca otimizar a oferta de um recurso energético crucial.

Fonte: https://jovempan.com.br

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