A notícia que abalou o cenário político da Grande São Paulo nesta semana envolveu a prisão em flagrante do chefe de gabinete da Prefeitura de Taboão da Serra, Marco Roberto da Silva, conhecido como "Pastor Marco Roberto". Ele foi detido na última terça-feira, 18 de junho, por dirigir uma caminhonete particular utilizando placas de identificação adulteradas, que simulavam ser do Poder Legislativo da cidade vizinha de Embu das Artes. O caso gerou repercussão não apenas pela gravidade da infração, mas também pelas versões conflitantes apresentadas pelo oficial, que incluem a alegação de esquecimento devido ao uso de "remédios fortes". Liberado na quinta-feira (19) após audiência de custódia, Marco Roberto aguardará o desenrolar do processo em liberdade, sob uma série de medidas cautelares.

A Perseguição e a Detenção em Rodovia Paulista

A detenção de Marco Roberto da Silva ocorreu após uma perseguição policial que se iniciou em Minas Gerais e culminou no interior de São Paulo. Policiais militares de Poços de Caldas (MG) identificaram a caminhonete dirigida por Marco com placas adulteradas e deram ordem de parada. Diante da desobediência, os agentes iniciaram uma perseguição que se estendeu até Águas da Prata, já em território paulista, na rodovia SP-342. Foi somente nesta localidade que o veículo foi finalmente interceptado e o chefe de gabinete abordado pela Polícia Militar. Marco Roberto foi formalmente indiciado na delegacia de Águas da Prata pelo crime de "adulteração de sinal identificador de veículo automotor".

Durante a abordagem, foi constatado que o veículo em questão era uma caminhonete de uso particular, registrada em nome de uma empresa. As placas originais do automóvel foram encontradas guardadas no interior do veículo, reforçando a natureza da adulteração. As placas falsas, utilizadas na parte dianteira e traseira, exibiam o brasão de Embu das Artes, sugerindo uma tentativa de conferir ao veículo um status oficial indevido.

As Versões Contraditórias do Acusado

O caso de Marco Roberto ganhou contornos ainda mais complexos devido às declarações divergentes que ele apresentou às autoridades. No momento da prisão em flagrante, segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o chefe de gabinete teria inicialmente admitido ser o responsável pela colocação das placas adulteradas. Ele alegou que as utilizava em sua função de secretário municipal em Taboão da Serra e que as teria obtido junto à Prefeitura de Embu das Artes, providenciando ele próprio o emplacamento. Ainda de acordo com a PM, Marco teria afirmado que o propósito era “desfrutar de livre circulação”, e que o uso de placas falsificadas seria algo comum na Grande São Paulo.

Contrariando sua admissão inicial, Marco Roberto da Silva apresentou uma defesa diferente durante seu interrogatório na Polícia Civil. Ele alegou que uma pessoa não identificada, "por brincadeira ou por maldade", teria colocado as placas falsas em seu veículo enquanto ele estava estacionado em Taboão da Serra. A justificativa para não ter retirado as placas seria o uso de "remédios fortes" para tratar doenças físicas e psíquicas, o que teria causado um esquecimento prolongado. Segundo essa versão, ele só teria se lembrado da presença das placas adulteradas no momento em que foi parado pela Polícia Militar na rodovia.

A Concessão da Liberdade Provisória e Suas Restrições

Após ser indiciado, Marco Roberto da Silva compareceu a uma audiência de custódia na Justiça de São João da Boa Vista na quinta-feira (19). O Ministério Público acatou o pedido da defesa para que o acusado respondesse ao processo em liberdade, concedendo-lhe a soltura mediante o cumprimento de medidas cautelares rigorosas. Tais condições visam assegurar sua presença nos atos processuais e impedir a reincidência ou interferência nas investigações.

Entre as restrições impostas pela Justiça, Marco Roberto não poderá mudar de endereço ou ausentar-se da cidade de sua residência por mais de 30 dias sem prévia autorização judicial. Além disso, foi proibido de frequentar bares e "locais de má fama", como prostíbulos, casas de apostas e pontos de venda de drogas. Uma medida específica também exige que ele permaneça em sua residência entre as 23h e as 6h, inclusive nos finais de semana e feriados.

A Posição na Prefeitura e As Conexões Políticas de "Pastor Marco Roberto"

Marco Roberto da Silva ocupa o cargo de chefe de gabinete do prefeito de Taboão da Serra, Daniel Plana Bogalho (União Brasil), com um salário mensal de R$ 15.500,00, conforme registros no site de transparência do município. Sua atuação vai além das funções administrativas, envolvendo uma rede de contatos políticos significativa, especialmente com figuras proeminentes da região.

O "Pastor Marco Roberto" possui ligações pessoais estreitas com importantes nomes da política de Embu das Artes, como o ex-prefeito Ney Santos (Republicanos) e o atual prefeito Hugo Prado (Republicanos). Registros em redes sociais e notícias anteriores confirmam essa proximidade. Em agosto do ano passado, por exemplo, Ney Santos publicou uma foto em que recebia em sua residência o próprio Marco Roberto e o prefeito de Taboão da Serra, Daniel Bogalho. O pastor também compartilhou diversas fotos ao lado de Ney Santos em suas próprias redes, evidenciando um relacionamento que transcende o âmbito estritamente profissional. Uma imagem, inclusive, mostra Marco Roberto ao lado de Ney Santos, Hugo Prado e Daniel Bogalho, reforçando a amplitude de seu círculo político.

A prisão e as subsequentes alegações de Marco Roberto da Silva lançam um holofote sobre a conduta de agentes públicos e a integridade de documentos oficiais. Enquanto o inquérito e o processo judicial prosseguem, as prefeituras de Taboão da Serra e Embu das Artes foram procuradas para se manifestarem sobre o ocorrido, mas seus posicionamentos ainda são aguardados. O advogado de defesa de Marco Roberto informou que só se pronunciará nos autos do processo, no momento oportuno. O desdobramento deste caso será crucial para esclarecer as circunstâncias da adulteração das placas e as responsabilidades envolvidas, além de pautar discussões sobre transparência e ética na administração pública.

Fonte: https://g1.globo.com

Share.

Comments are closed.