A candidata Keiko Fujimori, apontada como a favorita nas próximas eleições presidenciais do Peru, delineou em entrevista exclusiva à AFP uma plataforma política focada em restaurar a ordem, implementar medidas rigorosas contra a imigração irregular e realinhar a política externa peruana com os Estados Unidos. Suas propostas, apresentadas às vésperas do pleito deste domingo, buscam solidificar a presença da direita na América Latina, em um momento de profunda crise de segurança e instabilidade política no país andino. Esta é a quarta vez que a filha do ex-presidente Alberto Fujimori concorre ao cargo, prometendo uma gestão enérgica para enfrentar os desafios nacionais.

As Propostas Centrais: Ordem e Segurança Interna

No cerne de sua campanha, Keiko Fujimori se compromete a <b>“recuperar a ordem”</b> nos primeiros cem dias de um eventual governo, visando combater a escalada da criminalidade que tem assolado o Peru. Sua estratégia se baseia em uma abordagem de tolerância zero, prometendo ações contundentes para reverter o cenário de insegurança percebida pela população. A candidata, que completou 50 anos, aparece com uma vantagem superior a 16% nas intenções de voto, segundo pesquisas de boca de urna, o que a coloca em posição de disputar um segundo turno, projetado para 7 de junho.

Política Migratória e Medidas Drásticas

Um dos pilares de sua plataforma de segurança é a política migratória. Keiko Fujimori propõe a <b>expulsão imediata de imigrantes em situação irregular</b>, associando o aumento da criminalidade à presença de estrangeiros sem documentos. A maior comunidade de imigrantes no Peru é a venezuelana, com aproximadamente 1,6 milhão de pessoas, das quais cerca de 14% não possuem residência autorizada. A candidata também mencionou a possibilidade de criar um <b>“corredor humanitário”</b> para facilitar o retorno daqueles que forem convocados a deixar o país.

Reformas no Sistema Judiciário e Prisional

Em linha com sua promessa de endurecer a lei, Fujimori planeja solicitar ao Congresso a aprovação para o <b>envio de militares às prisões</b>, buscando restabelecer o controle em ambientes muitas vezes dominados por facções criminosas. Adicionalmente, ela sugere a instalação de tribunais com <b>“juízes sem rosto”</b> para o julgamento de infrações, uma medida controversa que remonta ao governo de seu pai, Alberto Fujimori, utilizada para combater o terrorismo nos anos 90 e que gerou críticas por possíveis violações de direitos. Essa proposta visa acelerar os processos e inibir a influência de criminosos sobre o sistema de justiça.

Reorientação Geopolítica e Econômica

No cenário internacional, Keiko Fujimori manifestou o desejo de <b>reaproximar o Peru dos Estados Unidos</b>, afirmando que seu papel, caso eleita, seria motivar Washington a participar mais ativamente na economia peruana. Essa postura se alinha aos interesses de figuras como o ex-presidente Donald Trump, que busca novos aliados para mitigar a crescente influência da China na América Latina. O Peru, historicamente um parceiro comercial significativo de diversos países, é atualmente o segundo maior receptor de investimentos chineses na região, apenas atrás do Brasil, com um fluxo estimado de US$ 29 bilhões entre 2005 e 2025.

A Ascensão da Direita na América Latina

Fujimori enxerga o Peru como parte de uma tendência regional de guinada à direita, onde governos como os de Javier Milei na Argentina, José Antonio Kast no Chile, Daniel Noboa no Equador e Rodrigo Paz na Bolívia exemplificam uma corrente que prioriza <b>“a liberdade, os investimentos e a recuperação do controle e da segurança”</b>. A candidata expressou que, para completar este movimento na América Latina, <b>“faltam Colômbia e Peru”</b>, posicionando seu possível governo como um agente de consolidação dessa ideologia política no continente.

O Legado Fujimorista e a Busca por Conciliação

A figura de seu pai, Alberto Fujimori, presidente do Peru entre 1990 e 2000, é um elemento central e divisivo na política peruana. Embora seja lembrado por derrotar a guerrilha Sendero Luminoso, que buscava impor um regime maoísta, ele foi condenado a 25 anos de prisão por violação de direitos humanos e corrupção, vindo a falecer em 2024. Keiko Fujimori capitaliza sobre a nostalgia por um período de ordem e crescimento econômico, evocando a citação: <b>“O tempo está colocando as coisas em seu lugar e, hoje, quando o Peru sangra-se pelos delinquentes e os extorsionistas, o que pedem é um Fujimori, aqui estou!”</b>. A recente libertação de Alberto Fujimori pelo Tribunal Constitucional, no final de 2023, apesar de uma decisão contrária da Corte Interamericana de Direitos Humanos, reacendeu o debate sobre seu legado.

Histórico Eleitoral e Desafios Políticos

Keiko Fujimori acumula um histórico de três derrotas em segundo turno nas eleições presidenciais anteriores (2011, 2016 e 2021). Consciente da profunda instabilidade política que tem marcado o Peru, com oito presidentes em uma década e quatro destituídos pelo Parlamento, ela promete, desta vez, adotar uma postura mais conciliadora. A administradora, graduada nos Estados Unidos, afirmou ter aprendido com erros passados, priorizando o diálogo e a busca por consensos para superar os momentos de confrontação. Sua capacidade de conciliar o legado paterno com uma nova abordagem política será crucial para a governabilidade em um país tão fragmentado.

Com a liderança nas pesquisas, Keiko Fujimori se posiciona para um segundo turno decisivo, onde seu plano de governo, que mescla rigor na segurança interna, uma política migratória restritiva e um alinhamento geopolítico com os EUA, será posto à prova. Sua capacidade de superar o histórico de derrotas e unificar um eleitorado dividido pelo passado de sua família e pela instabilidade política atual definirá os rumos do Peru nos próximos anos. A eleição deste domingo e um eventual segundo turno em 7 de junho serão cruciais para o futuro político e social da nação andina.

Fonte: https://jovempan.com.br

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