A Justiça de São Paulo determinou, nesta quarta-feira (16), que Ygor Christian Felizardo, acusado de assassinar sua sogra, Leonice Aparecida Moscon, de 62 anos, em Sertãozinho (SP), seja submetido a um exame de insanidade mental. A decisão marca um ponto crucial no processo que busca compreender a capacidade do réu de discernir seus atos no momento do crime, ocorrido em junho deste ano.
A Avaliação Psiquiátrica e a Estratégia da Defesa
O autônomo Ygor Christian Felizardo será avaliado por peritos psiquiatras do estado, em um procedimento que tem prazo inicial de 45 dias, podendo ser estendido conforme a necessidade. O objetivo da análise é determinar se ele possuía plena capacidade de entendimento sobre suas ações quando cometeu o delito. O resultado desse exame será fundamental para a definição das medidas legais aplicáveis ao caso e para a continuidade do processo.
Desde o início das investigações, a defesa de Ygor, representada pelo advogado José Augusto Costa, tem argumentado pela necessidade de uma avaliação psiquiátrica aprofundada. Segundo Costa, o acusado possui um histórico de condições mentais diagnosticadas, incluindo Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), delírio persecutório, ansiedade generalizada e insônia. A tese da defesa é que o crime pode ter sido resultado de uma crise psiquiátrica aguda, agravada pela interrupção da medicação.
Detalhes do Crime e a Contraditória Confissão
Leonice Aparecida Moscon foi encontrada morta em sua residência, no Jardim Vitória, em 15 de junho. A filha da vítima, esposa de Ygor, alertou as autoridades após não conseguir contato com a mãe. O cenário do crime era impactante: a vítima estava sobre a cama, apresentando 38 perfurações de faca, e a arma do crime permanecia cravada em seu peito. A casa não mostrava sinais de arrombamento, luta corporal ou desorganização, e vizinhos não relataram ter ouvido gritos ou latidos do cão da vítima, levantando suspeitas sobre a identidade do agressor.
Inicialmente, Ygor chegou a conceder entrevista a jornalistas no local, negando qualquer conhecimento sobre os fatos e afirmando ter uma boa relação com a sogra. Contudo, evidências como marcas de sangue em suas roupas, um ferimento recente na mão e a ausência de sinais de entrada forçada na casa levaram à sua prisão preventiva. Posteriormente, em depoimento à Polícia Civil, ele confessou o assassinato, alegando ter agido para proteger seu filho de supostos abusos cometidos pela avó – acusações que nunca foram comprovadas. O réu descreveu friamente a dinâmica do ataque: adentrou a casa, apanhou uma faca na cozinha, chamou a vítima e iniciou os golpes no quarto, continuando as agressões mesmo após Leonice cair ao chão e a arrastando para a cama para desferir mais facadas.
O Andamento do Processo e a Busca por Justiça
Ygor Felizardo permanece preso preventivamente desde junho. Recentemente, passou por uma audiência de instrução e julgamento, onde tanto testemunhas de defesa quanto de acusação foram ouvidas. Marilene Schiavinato, outra filha de Leonice, expressou ao g1 a angústia vivida pela família desde a perda da mãe: "Não foi nem está sendo fácil. É muita pressão. Só espero que nessa audiência seja feita justiça."
O acusado responde por feminicídio, uma qualificação que recai sobre o homicídio praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, frequentemente envolvendo violência doméstica e familiar. A inclusão do exame de insanidade mental é um passo decisivo para que a Justiça avalie a total responsabilidade de Ygor, considerando os argumentos da defesa sobre seu estado psiquiátrico, e defina as próximas etapas do processo legal.
A determinação do exame de sanidade mental no caso de Ygor Christian Felizardo representa um momento crucial para o desfecho do processo. A análise dos peritos psiquiatras será fundamental para determinar a capacidade de discernimento do réu e, consequentemente, as medidas legais a serem aplicadas, buscando uma conclusão justa para o trágico assassinato de Leonice Aparecida Moscon em Sertãozinho.
Fonte: https://g1.globo.com

