Os Estados Unidos da América apresentaram um plano estratégico detalhado, dividido em três fases distintas, para abordar a intrincada crise na Venezuela. Este roteiro, concebido para culminar numa transição de poder longe do chavismo, foi delineado pelo influente Senador Marco Rubio, sublinhando a determinação de Washington em redefinir o futuro político e econômico da nação sul-americana. A primeira etapa do plano foca na estabilização imediata do país, uma medida preventiva para conter o risco de um colapso completo, seguida por uma “quarentena” da Venezuela nos mercados internacionais, que inclui a apreensão de petroleiros. A iniciativa dos EUA reflete uma postura de crescente assertividade e intervenção direta na gestão interna venezuelana, visando não apenas a reforma política mas também a reestruturação econômica e a reconciliação nacional. Este desdobramento surge num contexto de intensas pressões geopolíticas e manobras estratégicas para assegurar o controle sobre os valiosos recursos petrolíferos do país, elementos centrais da política externa americana para a região.
Os pilares da estratégia americana: estabilização, recuperação e transição
Fases iniciais buscam ordem e acesso ao mercado global
O plano americano para a Venezuela é meticulosamente estruturado em três etapas cruciais, conforme detalhado pelo Senador Marco Rubio. A primeira delas, e a mais imediata, concentra-se na “estabilização do país”. O objetivo primordial, segundo o congressista americano, é prevenir que a Venezuela “mergulhe no caos”, assegurando uma base mínima de ordem. Parte integrante desta fase de estabilização é a implementação de uma “quarentena” da Venezuela no mercado internacional. Esta medida estratégica inclui a ação direta de apreensão de petroleiros, visando isolar economicamente o regime e exercer pressão máxima para conformidade com os objetivos americanos.
Após a estabilização inicial, a segunda fase do plano é denominada “recuperação”. Esta etapa visa garantir que empresas americanas e de outras nações aliadas tenham acesso justo e equitativo ao mercado venezuelano. A visão de Washington é facilitar a reentrada dessas companhias num cenário de maior transparência e segurança jurídica, fundamental para a reconstrução econômica. Simultaneamente, esta fase propõe a criação de um processo robusto de “reconciliação nacional” dentro da Venezuela. Isso implica a anistia e a libertação de forças de oposição atualmente detidas, além de facilitar o retorno de exilados ao país. O objetivo é que esses indivíduos contribuam ativamente para a reconstrução da sociedade civil venezuelana, promovendo uma base política mais inclusiva e democrática. Apenas após a consolidação dessas duas etapas preparatórias, a estratégia americana avançará para a terceira e decisiva fase: a transição de poder, que visa o fim do controle chavista.
Washington intensifica controle sobre decisões e recursos petrolíferos venezuelanos
Pressão diplomática e apreensão de ativos marcam nova fase de intervenção
A formulação do plano americano ocorre em um cenário de intensa turbulência política na Venezuela. Desde o sábado (3), que marcou a detenção de Nicolás Maduro pelas forças americanas, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina do país. Em resposta direta às declarações do então presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmara que Washington controlaria a Venezuela até a efetivação de uma transição, Rodríguez prontamente negou qualquer controle externo sobre a nação caribenha, defendendo a soberania venezuelana. Contudo, essa posição foi veementemente contestada pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Em coletiva de imprensa, Leavitt afirmou categoricamente que as decisões do novo governo venezuelano seriam “ditadas” pelos Estados Unidos. “Obviamente, neste momento temos a máxima capacidade de pressão sobre as autoridades interinas da Venezuela”, declarou, reiterando que a coordenação estreita com as autoridades interinas asseguraria que suas decisões “continuarão sendo ditadas pelos Estados Unidos da América”.
Um ponto central da estratégia de Washington reside no controle das vendas de petróleo venezuelano. A intenção é clara: garantir o abastecimento conforme os interesses americanos e, ao mesmo tempo, conter as vendas no mercado paralelo, que muitas vezes ocorrem a preços inferiores aos que a Venezuela deveria receber. Segundo Leavitt, esta medida visa não apenas a segurança energética dos EUA, mas também a reestruturação econômica da Venezuela sob termos favoráveis a Washington. O ex-presidente Donald Trump chegou a mencionar que o governo interino venezuelano, em conversas telefônicas, teria oferecido “30 a 50 milhões de barris” aos Estados Unidos. Como demonstração dessa assertividade e controle, forças americanas voltaram a aplicar o bloqueio ao petróleo venezuelano. Recentemente, um petroleiro já carregado foi apreendido em águas do Caribe e outro, sob bandeira russa e vazio, foi interceptado no Atlântico Norte após dias de perseguição. Essas ações sublinham a determinação americana em exercer sua influência sobre os recursos estratégicos da Venezuela e a gestão de sua política externa.
Conclusão: a assertividade americana e o futuro geopolítico da Venezuela
A estratégia delineada pelo Senador Marco Rubio e as declarações da Casa Branca revelam uma abordagem inequívoca e assertiva dos Estados Unidos em relação à Venezuela. As três fases – estabilização, recuperação e transição – não são meras sugestões, mas sim um roteiro imposto, sustentado por uma “máxima capacidade de pressão” sobre as autoridades interinas de Caracas. A ênfase no controle do petróleo venezuelano, evidenciada pela apreensão de petroleiros e pela clara intenção de Washington de ditar as decisões econômicas, posiciona os recursos energéticos do país como um pilar central da intervenção americana. O próprio Senador Rubio, após reunião com parlamentares, afirmou que Caracas já havia entrado em contato para negociar a inclusão do petróleo apreendido no Caribe em um futuro acordo, enfatizando que, na Venezuela, a política dos EUA “não está improvisando”. Este panorama sugere um futuro geopolítico complexo para a Venezuela, com os Estados Unidos determinados a moldar seu destino, desde a governança interna até a gestão de seus mais valiosos ativos econômicos.
Fonte: https://jovempan.com.br

