A Polícia Civil de São Paulo anunciou nesta terça-feira a prisão de três indivíduos, supostamente integrantes de alta patente do Primeiro Comando da Capital (PCC), sob a acusação de serem os mandantes do brutal assassinato do ex-delegado-geral da corporação, Ruy Ferraz Fontes. O crime chocou o estado em 15 de setembro do ano passado, quando Fontes foi executado a tiros na Praia Grande, litoral paulista, em um atentado que mobilizou as forças de segurança estaduais para uma investigação aprofundada.

As Prisões e a Identificação dos Mandantes

Entre os detidos está Fernando Gonçalves dos Santos, conhecido como 'Azul', apontado como uma das figuras centrais da facção e suposto idealizador do ataque. Juntamente com ele, foram capturados Márcio Serapião Pinheiro, alcunhado de 'Velhote', e Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como 'Manoelzinho'. As operações que levaram às prisões foram coordenadas em diferentes pontos do estado, abrangendo a Baixada Santista, Jundiaí e Caraguatatuba, demonstrando a complexidade e a abrangência da investigação.

As investigações detalham que cada um dos presos teria tido uma função específica no plano criminoso. 'Velhote' é apontado como responsável por fornecer apoio logístico e financeiro essencial para a execução do homicídio, incluindo pagamentos a um dos atiradores, Umberto Alberto Gomes, que, curiosamente, foi morto posteriormente em confronto com agentes no Paraná. 'Manoelzinho', por sua vez, é suspeito de ter monitorado os movimentos de Ruy Ferraz Fontes no dia do atentado, coletando informações cruciais para a emboscada.

A Vingança Como Motivação do Crime

As autoridades revelaram que a principal linha de investigação para o homicídio aponta para uma motivação de vingança. Ruy Ferraz Fontes, que ocupou cargos de destaque na Polícia Civil e na cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP) até 2019, foi uma figura central em operações de alto impacto contra o comando do PCC durante sua gestão, impactando diretamente a estrutura e liderança da facção criminosa.

Sua atuação decisiva incluiu a participação em deliberações que culminaram na transferência de líderes do PCC para presídios federais de segurança máxima, gerando forte retaliação da organização. Um detalhe que corrobora a tese de vingança é que Fernando 'Azul', um dos suspeitos de ordenar o assassinato de Fontes, havia deixado o sistema prisional em dezembro do ano passado, após cumprir pena por seu envolvimento em planos de ataques contra autoridades, indicando um possível período de planejamento para a retaliação.

A Cronologia do Assassinato

O ex-delegado-geral, de 63 anos, foi brutalmente executado no final da tarde de 15 de setembro do ano passado, na Vila Caiçara, em Praia Grande. Ele estava ao volante de seu veículo, um Fiat Argo, quando percebeu ser perseguido por criminosos que se deslocavam em um SUV. A perseguição culminou quando o carro de Fontes colidiu com um ônibus.

Nesse momento, o veículo foi alcançado pelos agressores, que desceram armados e efetuaram disparos coordenados contra o ex-delegado. A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), prontamente acionada ao local, confirmou o óbito de Ruy Ferraz Fontes na própria cena do crime, marcando um dos episódios mais trágicos para a segurança pública paulista.

Legado e Impacto da Atuação Policial de Fontes

Ruy Ferraz Fontes era amplamente reconhecido como um dos principais alvos do PCC devido à sua incisiva e longa trajetória de repressão ao crime organizado. Na ocasião de sua morte, embora estivesse licenciado da Polícia Civil, exercia o cargo de secretário municipal de Administração, o que sublinha sua contínua relevância e engajamento público, mesmo após deixar a ativa na segurança.

O assassinato gerou grande comoção entre seus pares e a sociedade, com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e diversas entidades da categoria expressando profundo pesar. O ato foi classificado como um atentado direto contra as instituições e a trajetória de mais de quatro décadas de Fontes na polícia foi destacada como um exemplo de compromisso inabalável com a segurança pública e o combate ao crime.

A prisão dos supostos mandantes representa um avanço significativo na elucidação de um dos crimes mais impactantes contra um membro das forças de segurança nos últimos anos, enviando uma clara mensagem de que tais atos não ficarão impunes. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) deve conceder uma coletiva de imprensa ainda hoje para fornecer mais detalhes sobre o progresso das investigações e as próximas etapas deste caso de alta complexidade e repercussão.

Fonte: https://jovempan.com.br

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